setembro 28, 2003

Sobre o Portugal 2010

Neste artigo sobre o relatório “ Portugal 2010” elaborado pela McKinsey destaca-se as seguintes ideias:

... o mais poderoso obstáculo ao crescimento da produtividade é, por atacado, a evasão e a fuga fiscal, a economia paralela, o mercado negro de trabalho e mercadorias, o não cumprimentos das regras reguladoras do mercado, o não pagamento das contribuições para a Segurança Social, o não acatamento das regras relativas ao salário mínimo e o desrespeito pelos padrões de qualidade ou pelas normas de segurança

Apesar de ouvirmos todos os dias os governantes vituperar contra a legislação laboral, considerando-a como o maior pecado da economia, é curioso ver esta empresa considerar essa barreira responsável por apenas 13 por cento das deficiências de produtividade

Concluindo: os portugueses são, há anos, mal governados; a ilicitude nos comportamentos dos agentes económicos é frequente e tolerada pela Administração; e as classes empresariais comportam-se com elevados graus de irresponsabilidade

.... deste trabalho conclui-se que a prioridade é a educação!

Na verdade, a educação é, há décadas, o sector prioritário na acção dos governos. Qualquer que seja o critério utilizado (despesa pública por habitante, percentagem do PIB, parte na despesa pública total, percentagem da despesa com as funções sociais, etc.), a educação é sempre o sector mais favorecido.

Na comparação com os parceiros europeus, o sector da educação é, em Portugal, um dos que recebe a maior parte do produto, se calcularmos valores médios para os últimos vinte anos. Em toda a Europa, a mais elevada taxa de crescimento da despesa pública com a educação é a que se verifica em Portugal. É também entre nós que ocorreu o mais acelerado ritmo de recrutamento de pessoal qualificado para a educação. Portugal exibe ainda um das mais favoráveis rácios de alunos por docente. Finalmente, os professores portugueses do ensino básico e secundário são, em paridades de poder de compra e em percentagem do produto, os mais bem pagos da União Europeia e da OCDE.

Os problemas da educação portuguesa são outros. O enorme desperdício, por exemplo. O excesso de despesa com vencimentos e a insuficiência de investimentos. Os milhares de professores que não ensinam nem investigam. Os dispendiosos métodos de aquisição de equipamentos. A estrutura escolar dispersa e pulverizada. O esforço reduzido com a investigação e exagerado com ensinos inúteis. Os métodos pedagógicos consolidados por trinta anos de modas e que consagram o laxismo e a complacência. A falta de severidade, rigor e disciplina. A irresponsabilidade das escolas, das autarquias e de muitos professores, directores e reitores. A gestão centralizada do sistema educativo. E outros...

Os comentários agora são vossos...

Publicado por vmar em setembro 28, 2003 07:11 PM
Comentários

Vim aqui parar já nem sei como, adiante.
O artigo referido parece dizer que a matéria prima está toda à mão de semear, ou seja, só está é mal organizada a coisa. Somos um povo de patetas.

Afixado por: Pedro Lima em abril 15, 2004 12:46 PM